Uma coisa que não gosto nos debates sobre „liberdade“ e conceitos afins é o quão distanciados eles tendem a estar da rotina normal. No geral fala-se de leis opressoras, necessidade de autorizações; às vezes fala-se de questões de direitos positivos, liberdade de escolha e auto-governação.
Mas a liberdade, para uma pessoa normal, vai ser uma questão de necessidades que estarão a ser satisfeitas, é um termo pragmático. Para uma pessoa normal a liberdade é consequentalista, não é normativa. Para um filósofo, para alguns políticos, é uma questão mais conceptual tendencialmente.
Dizer que o Estado retira liberdade, ou que a cultura do trabalho, ética de trabalho calvinista, retira liberdade (posição com a qual concordo), começa num ponto possível e eventualmente acaba por não dizer nada. Dizer que Liberdade é a ausência de constrangimentos externos é uma posição vazia.
As pessoas queixa-se de falta de tempo, meios,, às vezes queixam-se de falta de energia (outras vezes nem sabem que lhes falta energia ou informação). A falta de liberdade é um sentimento e é uma observação social, é uma questão de hábitos e como são constragidos por coisas.
E é um tema díficil, que não acho que seja assim tão complexo como irão dizer — e isto normalmente é uma desculpa para não serem retiradas conclusões.
É nestes caso onde eu sinto que falta imensa voz do cidadão comum, em artigos e fóruns e comícios, ou reportagens.
pedroxaxaxa on
A liberdade depende se a pessoa é rica ou pobre financeiramente?
Os pobres vivem na ditadura e os ricos numa liberdade?
Epa o expresso é cada vez mais um jornal com síndrome de esquerda.
Já sei que os pobres de espírito vão colocar o seu downvote, por isso não saem da cepa torta.
Earth-Tiny on
A nossa classe política tem de perceber que ter um trabalho e ter um trabalho digno são coisas radicalmente diferentes.
É grave que uma pessoa que trabalhe a full time não consiga sair da pobreza. De que vale ter um emprego se não se consegue fazer face às suas necessidades?
stratamaniac on
Numa casa portuguesa fica bem
Pão e vinho sobre a mesa
Quando à porta humildemente bate alguém
Senta-se à mesa co’a gente
Fica bem essa fraqueza, fica bem
Que o povo nunca a desmente
A alegria da pobreza
Está nesta grande riqueza
De dar, e ficar contente
Iasalvador on
Finalmente alguém fala disto
Dou em doido com ninguém falar mais neste tema
Isto subverte a democracia
É um veneno para um sociedade saudável
zzz_red on
Há liberdade, sim. Mas há menos liberdade do que para quem trabalha e não é pobre.
Ter mais possibilidades e opções de escolha, poder experimentar um leque mais vasto de experiências como ser humano, é, na minha opinião, sinónimo de ser (mais) livre.
Mas generalizar é sempre limitador. Há moradores de rua que se sentem mais livres do que gente que trabalha no duro todos os dias, tem casa, família, e vai de férias para o Algarve – sentem-se escravos da rotina.
Royal-Surround-4538 on
Não, são todos uns escravos para eu poder ser livre.
pedroxaxaxa on
Pelos comentários deste post, parece que não vivemos em liberdade, então porque se festeja o 25 de abril? 😄
Alkasuz on
Vou perguntar a um destes trabalhadores sem-abrigo o que é que ele acha.
Easy-Refrigerator28 on
Claro que há liberdade. Pode votar, logo é livre /s
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10 Kommentare
Uma coisa que não gosto nos debates sobre „liberdade“ e conceitos afins é o quão distanciados eles tendem a estar da rotina normal. No geral fala-se de leis opressoras, necessidade de autorizações; às vezes fala-se de questões de direitos positivos, liberdade de escolha e auto-governação.
Mas a liberdade, para uma pessoa normal, vai ser uma questão de necessidades que estarão a ser satisfeitas, é um termo pragmático. Para uma pessoa normal a liberdade é consequentalista, não é normativa. Para um filósofo, para alguns políticos, é uma questão mais conceptual tendencialmente.
Dizer que o Estado retira liberdade, ou que a cultura do trabalho, ética de trabalho calvinista, retira liberdade (posição com a qual concordo), começa num ponto possível e eventualmente acaba por não dizer nada. Dizer que Liberdade é a ausência de constrangimentos externos é uma posição vazia.
As pessoas queixa-se de falta de tempo, meios,, às vezes queixam-se de falta de energia (outras vezes nem sabem que lhes falta energia ou informação). A falta de liberdade é um sentimento e é uma observação social, é uma questão de hábitos e como são constragidos por coisas.
E é um tema díficil, que não acho que seja assim tão complexo como irão dizer — e isto normalmente é uma desculpa para não serem retiradas conclusões.
É nestes caso onde eu sinto que falta imensa voz do cidadão comum, em artigos e fóruns e comícios, ou reportagens.
A liberdade depende se a pessoa é rica ou pobre financeiramente?
Os pobres vivem na ditadura e os ricos numa liberdade?
Epa o expresso é cada vez mais um jornal com síndrome de esquerda.
Já sei que os pobres de espírito vão colocar o seu downvote, por isso não saem da cepa torta.
A nossa classe política tem de perceber que ter um trabalho e ter um trabalho digno são coisas radicalmente diferentes.
É grave que uma pessoa que trabalhe a full time não consiga sair da pobreza. De que vale ter um emprego se não se consegue fazer face às suas necessidades?
Numa casa portuguesa fica bem
Pão e vinho sobre a mesa
Quando à porta humildemente bate alguém
Senta-se à mesa co’a gente
Fica bem essa fraqueza, fica bem
Que o povo nunca a desmente
A alegria da pobreza
Está nesta grande riqueza
De dar, e ficar contente
Finalmente alguém fala disto
Dou em doido com ninguém falar mais neste tema
Isto subverte a democracia
É um veneno para um sociedade saudável
Há liberdade, sim. Mas há menos liberdade do que para quem trabalha e não é pobre.
Ter mais possibilidades e opções de escolha, poder experimentar um leque mais vasto de experiências como ser humano, é, na minha opinião, sinónimo de ser (mais) livre.
Mas generalizar é sempre limitador. Há moradores de rua que se sentem mais livres do que gente que trabalha no duro todos os dias, tem casa, família, e vai de férias para o Algarve – sentem-se escravos da rotina.
Não, são todos uns escravos para eu poder ser livre.
Pelos comentários deste post, parece que não vivemos em liberdade, então porque se festeja o 25 de abril? 😄
Vou perguntar a um destes trabalhadores sem-abrigo o que é que ele acha.
Claro que há liberdade. Pode votar, logo é livre /s