Em teoria, é. Na práctica, é pintada de cor de rosa. Em parte, o Marquês de Pombal foi re-interpretado pela historiografia pós-Republica como republicano ex ante, pela sua legislação iluminista e, especialmente, anti-clerical. Assim, em vez de ditador, foi visto como um reformador progressista que teve de fazer uso de métodos mais violentos para uma finalidade nobre. Como a disciplina de História, mesmo nas universidades, é uma piada, e a maior parte dos estudantes não sabem patavina sobre história da historiografia nacional, comem com treta que era quase literal propaganda do início do século XX.
Impossible-Wheel7857 on
Até é, mas é preciso estar atento às aulas.
Street_Knowledge1277 on
Tive que ir a um museu em Malta para saber do [Massacre de Lisboa de 1506](https://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_de_Lisboa_de_1506). A resposta é óbvia: ainda há muita „limpeza“ histórica nos manuais e um certo endeusamento de outros factos. Mas creio que já foi pior.
francisbarreiras on
Porque as monarquias absolutas, como foi o caso em Portugal desde 1128/43 até à revolução liberal, são, para todos efeitos, regimes ditatoriais, ou seja, na prática, sempre se tinha vivido num país revestido de totalitarismo.
Agora, a única exceção aqui é que D. José delegou imensos aspetos da governação para o seu secretário do Reino, o Marquês, mas só mudou quem exercia o poder. A fama de tirano também o marcou porque o Marquês acreditava numa espécie de absolutismo esclarecido de Luís XIV (Rei Sol) e, conjugando isso com o movimento iluminista, começou a reduzir o poder e influência do clero e da nobreza na sociedade. Eventualmente houve toda a questão com o processo dos Távoras, que veio cimentar ainda mais o seu poder, no entanto, eu pelo menos falei muito dessa questão na escola.
impecbusilis on
Lamento desapontar-te mas o D Afonso Henriques também não era propriamente um grande democrata…
Os personagens históricos são pessoas do seu tempo, que viveram de acordo com o modo de pensar desse tempo. O Marques de Pombal foi tão ditador como qualquer governante do seu tempo.
BrinkleyPT on
Porque os portugueses têm memória curta e tendem a esquecer a história e votam uma e outra vez no pai tirano opressor …
Overall_Round121 on
Eu na escola aprendi o bom e o mau do Marquês de Pombal.
Tanto na sua contribuição para a reestruturação de Lisboa como para as mortes e perseguições levadas a cabo pelo seu punho de ferro.
Alien18 on
Como é que é uma ditadura se estavas numa monarquia?
Escafandrista on
Devias andar distraído nas aulas de historia do 8ª ano. O Marquês tanto é apresentado como um reformador (reconstrução de Lisboa, reabilitação do vinho do Porto) como um despota no caso do processo dos Távora.
AppealRegular3206 on
O ensino nas escolas portuguesas é baseado em portugal ter sido um grande imperio às custas de tráfico humano, e não é so na disciplina de historia mas também em português. A cena é passado é passado, mas é não é etico ter orgulho desses atos atualmente
Main-Preparation-570 on
A História portuguesa está cheia de mitos e mentiras e como quem faz a História são os vencedores, o Marquês foi um pouco endeusado. Contudo quando Governou era muito polémico e vastos sectores da sociedade odiavam-no. É preciso dizer que no século XIX o Marquês encontrou muita simpatia entre os Liberais, e o mesmo sucedeu na República. Estamos a falar de regimes fortemente anticlericais, e com muita influência da Maçonaria. E existem indícios de que o Marquês foi Maçom. A própria ditadura também tinha a sua admiração pelo Marquês, tanto que lhe fizeram a estátua em Lisboa. Hoje em dia já temos análises mais sérias e isentas do Regime do Marquês, infelizmente não vêm em programas escolares e ficam um pouco restritas a alguns nichos. As políticas do Marquês foram desastrosas na Educação e na Economia. Uma das coisas boas que fez foi acabar com os Autos da Fé e com a discriminação dos cristãos-novos. Essa medida foi muito positiva. Mas não acabou com a Inquisição.
Jumpyer on
*cof* pela mesma razão que os descobrimentos são só celebrados *cof*
Nogleaminglight on
Principalmente tendo em conta que ele é, em parte, culpado de parte dos „problemas“ do Portugal moderno: À uns séculos atrás o Brasil (já como colónia) tinha uma língua „de facto“ muito diferente da da metrópole. Essas duas línguas não eram mutualmente inteligíveis, logo o marquês de Pombal tornou ilegal falar essa língua na colónia (dificultava os negócios, e provavelmente sua própria existência num polo comercial tão importante seria uma afronta ao poder da metrópole), reduzindo drasticamente o número de pessoas que a falavam década pós década. Tendo em conta que a língua, como herança do passado colonial, é a primeira ligação entre dois países e a primeira ponte que alguém que queira emigrar vê… Se não fosse o marquês de pombal, provavelmente, hoje terias um verdadeiro „brasileiro“, e a vida de grande parte de nós seria um bocadinho mais difícil, ou com menos memes.
Leave A Reply
Du musst angemeldet sein, um einen Kommentar abzugeben.
13 Kommentare
Em teoria, é. Na práctica, é pintada de cor de rosa. Em parte, o Marquês de Pombal foi re-interpretado pela historiografia pós-Republica como republicano ex ante, pela sua legislação iluminista e, especialmente, anti-clerical. Assim, em vez de ditador, foi visto como um reformador progressista que teve de fazer uso de métodos mais violentos para uma finalidade nobre. Como a disciplina de História, mesmo nas universidades, é uma piada, e a maior parte dos estudantes não sabem patavina sobre história da historiografia nacional, comem com treta que era quase literal propaganda do início do século XX.
Até é, mas é preciso estar atento às aulas.
Tive que ir a um museu em Malta para saber do [Massacre de Lisboa de 1506](https://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_de_Lisboa_de_1506). A resposta é óbvia: ainda há muita „limpeza“ histórica nos manuais e um certo endeusamento de outros factos. Mas creio que já foi pior.
Porque as monarquias absolutas, como foi o caso em Portugal desde 1128/43 até à revolução liberal, são, para todos efeitos, regimes ditatoriais, ou seja, na prática, sempre se tinha vivido num país revestido de totalitarismo.
Agora, a única exceção aqui é que D. José delegou imensos aspetos da governação para o seu secretário do Reino, o Marquês, mas só mudou quem exercia o poder. A fama de tirano também o marcou porque o Marquês acreditava numa espécie de absolutismo esclarecido de Luís XIV (Rei Sol) e, conjugando isso com o movimento iluminista, começou a reduzir o poder e influência do clero e da nobreza na sociedade. Eventualmente houve toda a questão com o processo dos Távoras, que veio cimentar ainda mais o seu poder, no entanto, eu pelo menos falei muito dessa questão na escola.
Lamento desapontar-te mas o D Afonso Henriques também não era propriamente um grande democrata…
Os personagens históricos são pessoas do seu tempo, que viveram de acordo com o modo de pensar desse tempo. O Marques de Pombal foi tão ditador como qualquer governante do seu tempo.
Porque os portugueses têm memória curta e tendem a esquecer a história e votam uma e outra vez no pai tirano opressor …
Eu na escola aprendi o bom e o mau do Marquês de Pombal.
Tanto na sua contribuição para a reestruturação de Lisboa como para as mortes e perseguições levadas a cabo pelo seu punho de ferro.
Como é que é uma ditadura se estavas numa monarquia?
Devias andar distraído nas aulas de historia do 8ª ano. O Marquês tanto é apresentado como um reformador (reconstrução de Lisboa, reabilitação do vinho do Porto) como um despota no caso do processo dos Távora.
O ensino nas escolas portuguesas é baseado em portugal ter sido um grande imperio às custas de tráfico humano, e não é so na disciplina de historia mas também em português. A cena é passado é passado, mas é não é etico ter orgulho desses atos atualmente
A História portuguesa está cheia de mitos e mentiras e como quem faz a História são os vencedores, o Marquês foi um pouco endeusado. Contudo quando Governou era muito polémico e vastos sectores da sociedade odiavam-no. É preciso dizer que no século XIX o Marquês encontrou muita simpatia entre os Liberais, e o mesmo sucedeu na República. Estamos a falar de regimes fortemente anticlericais, e com muita influência da Maçonaria. E existem indícios de que o Marquês foi Maçom. A própria ditadura também tinha a sua admiração pelo Marquês, tanto que lhe fizeram a estátua em Lisboa. Hoje em dia já temos análises mais sérias e isentas do Regime do Marquês, infelizmente não vêm em programas escolares e ficam um pouco restritas a alguns nichos. As políticas do Marquês foram desastrosas na Educação e na Economia. Uma das coisas boas que fez foi acabar com os Autos da Fé e com a discriminação dos cristãos-novos. Essa medida foi muito positiva. Mas não acabou com a Inquisição.
*cof* pela mesma razão que os descobrimentos são só celebrados *cof*
Principalmente tendo em conta que ele é, em parte, culpado de parte dos „problemas“ do Portugal moderno: À uns séculos atrás o Brasil (já como colónia) tinha uma língua „de facto“ muito diferente da da metrópole. Essas duas línguas não eram mutualmente inteligíveis, logo o marquês de Pombal tornou ilegal falar essa língua na colónia (dificultava os negócios, e provavelmente sua própria existência num polo comercial tão importante seria uma afronta ao poder da metrópole), reduzindo drasticamente o número de pessoas que a falavam década pós década. Tendo em conta que a língua, como herança do passado colonial, é a primeira ligação entre dois países e a primeira ponte que alguém que queira emigrar vê… Se não fosse o marquês de pombal, provavelmente, hoje terias um verdadeiro „brasileiro“, e a vida de grande parte de nós seria um bocadinho mais difícil, ou com menos memes.