Bom deles demonstrar ao país o perigo que é estarmos dependentes de profissionais sem qualquer vínculo ao SNS.
BenFluxDucray on
Só ouço boas notícias
Rumenapp on
Parem uma semana e vejam o caos que se instala, SNS tem muito que evoluir
nraider on
A classe mais corporativa do país.
ni_out on
L
O
B
B
Y
Disastronaut__ on
Os tarefeiros são todos diferentes, uns fazem-no por necessidade, outros alternativa temporária, outros por rejeição do modelo vigente, outros por ganância.
E destes tarefeiros algum tem interesse em melhorar o SNS?
**Muito poucochinhos**, o modelo da tarefa é incompatível com um SNS forte. E ninguém morde a mão que lhe dá de comer, logo, o modelo tarefeiro não tem interesse em mudar nada que o torne desnecessário.
**Se o SNS for bem financiado, reorganizado e dotado de carreiras dignas, a tarefa desaparece.**
Para muitos tarefeiros, isso é o fim da flexibilidade, da “liberdade” de saltitar entre sítios mesmo que precário.
Está claro que querem mais direitos, e querem também ser “livres” para não os terem.
SLY_cs on
Os médicos até podiam ter „capacidade de lobby“, mas na minha opinião são dos grupos menos eficazes a defender-se (principalmente comparando com magistrados)
* Primeiro, porque estão divididos em pequenos grupos. Internos vs especialistas. Médicos de família vs hospitalares. Especialidades cirúrgicas (com SIGIC) e especialidades médicas (sem). Médicos com necessidade de 12-24h em urgência vs outros sem. E isso torna fácil de dividir para reinar, dando privilégio a uns em vez de outros, enfraquecendo quaisquer reivindicações.
* Depois, poucos estão sindicalizados (1/3?), e as greves têm baixíssima adesão e acabam sem impacto.
* Muitos trabalham no privado e portanto conformam-se com o que quer que aconteça ao público, porque sabem que no privado podem continuar a ganhar mais.
* Os representantes estão politizados (secretário geral do SIM já foi deputado PSD, ex-bastonário é atual deputado, …), portanto estão mais preocupados em agradar o governo do que em defender os médicos.
* Para piorar, comunicam mal e as pessoas acabam a ver os médicos como „mimados“ / privilegiados, já que não se percebe o estado atual das coisas, nem as reinvindicações (porque é fácil ao governo, que comunica bem, atirar para a comunicação social situações ridículas e excecionais como médicos a ganhar 400k€ em SIGIC, médicos corruptos que trabalham no público e privado ao mesmo tempo, etc. que representam uma pequena minoria mas tornam fácil sabotar a opinião).
Nota de conflito de interesses: sou médico interno, especialidade hospitalar com urgência. Salário de 2200€ brutos, trabalhando aprox 65-70h por semana (1 dia descanso), sendo que dessas 25-30h extra apenas 12h são pagas (a 1.5 * valor hora habitual, que dá 19€/h) e não são „facultativas“ – sou obrigado de facto a trabalhá-las. No dia de „descanso“, como sou interno, tenho de estudar, atualizar bases de dados, preparar relatórios e apresentações, por isso obviamente preferiria não ter de fazer a urgência extra nem as restantes horas.
tramputino on
É deixá-los fazer. Se morrer muita gente, paciência.
batafritatinhas on
Entendo que possam estar incomodados. Têm esse direito, mas não concordo com o que exigem.
Um prestador de serviços é isso mesmo: aceita ou não as condições impostas. Haver uma espécie de „sindicato dos tarefeiros“ faz-me muito pouco sentido.
Contudo, demonstra um claro problema no SNS: depender demasiado de terceiros para a prestação de serviços que deviam ser „da casa“.
Era sabido que isto podia acontecer e é uma mensagem importante para o impacto que coisas como parcerias publico-privadas e outros modos de operação dependentes de privados podem ter: estas empresas operam por dinheiro, não por interesse público.
Não julgo. Não tem mal nenhum trabalhar só com interesse financeiro.
Mas quem acha que pode depender destes como se de mão de obra permanente se tratasse tem clara falta de visão estratégica.
NhakaNhaks on
É lidar. Não andassem a fazer merda estupida tipo tentar mudar INEM para ANEM.
A solução para o SNS é aumentar salarios E condições. Como em tudo, há que ter competitividade com o privado e com os salários dos outros países. Se não se resolve isso, as pessoas fogem do SNS.
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10 Kommentare
Bom deles demonstrar ao país o perigo que é estarmos dependentes de profissionais sem qualquer vínculo ao SNS.
Só ouço boas notícias
Parem uma semana e vejam o caos que se instala, SNS tem muito que evoluir
A classe mais corporativa do país.
L
O
B
B
Y
Os tarefeiros são todos diferentes, uns fazem-no por necessidade, outros alternativa temporária, outros por rejeição do modelo vigente, outros por ganância.
E destes tarefeiros algum tem interesse em melhorar o SNS?
**Muito poucochinhos**, o modelo da tarefa é incompatível com um SNS forte. E ninguém morde a mão que lhe dá de comer, logo, o modelo tarefeiro não tem interesse em mudar nada que o torne desnecessário.
**Se o SNS for bem financiado, reorganizado e dotado de carreiras dignas, a tarefa desaparece.**
Para muitos tarefeiros, isso é o fim da flexibilidade, da “liberdade” de saltitar entre sítios mesmo que precário.
Está claro que querem mais direitos, e querem também ser “livres” para não os terem.
Os médicos até podiam ter „capacidade de lobby“, mas na minha opinião são dos grupos menos eficazes a defender-se (principalmente comparando com magistrados)
* Primeiro, porque estão divididos em pequenos grupos. Internos vs especialistas. Médicos de família vs hospitalares. Especialidades cirúrgicas (com SIGIC) e especialidades médicas (sem). Médicos com necessidade de 12-24h em urgência vs outros sem. E isso torna fácil de dividir para reinar, dando privilégio a uns em vez de outros, enfraquecendo quaisquer reivindicações.
* Depois, poucos estão sindicalizados (1/3?), e as greves têm baixíssima adesão e acabam sem impacto.
* Muitos trabalham no privado e portanto conformam-se com o que quer que aconteça ao público, porque sabem que no privado podem continuar a ganhar mais.
* Os representantes estão politizados (secretário geral do SIM já foi deputado PSD, ex-bastonário é atual deputado, …), portanto estão mais preocupados em agradar o governo do que em defender os médicos.
* Para piorar, comunicam mal e as pessoas acabam a ver os médicos como „mimados“ / privilegiados, já que não se percebe o estado atual das coisas, nem as reinvindicações (porque é fácil ao governo, que comunica bem, atirar para a comunicação social situações ridículas e excecionais como médicos a ganhar 400k€ em SIGIC, médicos corruptos que trabalham no público e privado ao mesmo tempo, etc. que representam uma pequena minoria mas tornam fácil sabotar a opinião).
Nota de conflito de interesses: sou médico interno, especialidade hospitalar com urgência. Salário de 2200€ brutos, trabalhando aprox 65-70h por semana (1 dia descanso), sendo que dessas 25-30h extra apenas 12h são pagas (a 1.5 * valor hora habitual, que dá 19€/h) e não são „facultativas“ – sou obrigado de facto a trabalhá-las. No dia de „descanso“, como sou interno, tenho de estudar, atualizar bases de dados, preparar relatórios e apresentações, por isso obviamente preferiria não ter de fazer a urgência extra nem as restantes horas.
É deixá-los fazer. Se morrer muita gente, paciência.
Entendo que possam estar incomodados. Têm esse direito, mas não concordo com o que exigem.
Um prestador de serviços é isso mesmo: aceita ou não as condições impostas. Haver uma espécie de „sindicato dos tarefeiros“ faz-me muito pouco sentido.
Contudo, demonstra um claro problema no SNS: depender demasiado de terceiros para a prestação de serviços que deviam ser „da casa“.
Era sabido que isto podia acontecer e é uma mensagem importante para o impacto que coisas como parcerias publico-privadas e outros modos de operação dependentes de privados podem ter: estas empresas operam por dinheiro, não por interesse público.
Não julgo. Não tem mal nenhum trabalhar só com interesse financeiro.
Mas quem acha que pode depender destes como se de mão de obra permanente se tratasse tem clara falta de visão estratégica.
É lidar. Não andassem a fazer merda estupida tipo tentar mudar INEM para ANEM.
A solução para o SNS é aumentar salarios E condições. Como em tudo, há que ter competitividade com o privado e com os salários dos outros países. Se não se resolve isso, as pessoas fogem do SNS.