A Iniciativa Liberal defende uma regra geral de dez anos para a obtenção da nacionalidade portuguesa, admitindo sete anos se o requerente cumprir critérios mais exigentes, e o Livre quer maior proteção para refugiados e seus filhos.
Estas são algumas das alterações apresentadas pela Iniciativa Liberal e pelo Livre à proposta do Governo que pretende rever a lei da nacionalidade e que se juntam às do PSD/CDS e PS. Alterações que serão debatidas e votadas na especialidade, na quarta-feira, na Comissão de Assuntos Constitucionais.
A Iniciativa Liberal quer estabelecer “para todos” o prazo de 10 anos para a obtenção da nacionalidade, acabando com a discriminação positiva (sete anos) para cidadãos da União Europeia e de países de expressão portuguesa.
No entanto, admite um prazo mais curto, de sete anos, no caso de o requerente da nacionalidade portuguesa cumprir cumulativamente, além de todos os critérios previstos para a regra geral de dez anos, também outros relativos inerentes a língua e cultura.
“Conhecerem profundamente a língua e cultura portuguesas; conhecerem profundamente os direitos e deveres fundamentais inerentes à nacionalidade portuguesa e a organização política do Estado português”, especifica-se.
Logo a seguir, os liberais deixam uma ressalva que se aplica a cidadãos de países de língua oficial portuguesa: “O conhecimento da língua portuguesa referido (…) presume-se existir para os requerentes que sejam naturais e nacionais de países de língua oficial portuguesa”.
Entre as alterações ao diploma do Governo requeridas pela Iniciativa Liberal está também a aplicação de “uma regra de suspensão do procedimento de aquisição da nacionalidade quando o requerente for arguido em processo penal a decorrer por crime punível segundo a lei portuguesa, com pena de prisão igual ou superior a cinco anos, até ao trânsito em julgado da sentença”.
Porém, em caso de absolvição com trânsito em julgado da sentença, “o requerente tem direito à contagem do tempo de suspensão previsto no número anterior com vista à aquisição da nacionalidade por efeito da vontade”, acrescenta-se.
Já o Livre, em relação à proposta do Governo, que baixou diretamente a especialidade sem votação na generalidade, pretende que se conceda “a nacionalidade portuguesa às crianças nascidas no território português, filhas de pais refugiados, nos casos em que não seja viável adquirir a nacionalidade de algum deles”.
Propõe, ainda, um novo artigo, segundo o qual o Governo “concede a nacionalidade portuguesa aos refugiados e beneficiários de proteção subsidiária, reconhecidos nos termos da lei que regula o asilo, que residam legalmente em Portugal há pelo menos quatro anos, independentemente do título”.
Entre outras mudanças, o Livre quer mudar os requisitos previstos pelo executivo PSD/CDS para a obtenção da nacionalidade em matéria de conhecimentos dos princípios inerentes ao Estado Português, designadamente através da criação de uma comissão.
Para o Livre, “o modo como se afere o conhecimento dos princípios, direitos e deveres fundamentais, consagrados na Constituição da República, é definido por uma comissão independente e multidisciplinar”.
Por outro lado, o Governo fica vinculado a todos os anos promover “a realização de uma cerimónia pública de celebração da cultura portuguesa, de caráter simbólico e de participação facultativa, destinada às pessoas que tenham adquirido a nacionalidade nesse ano”.
Tal como o PS, o Livre pretende igualmente eliminar a sanção de perda da nacionalidade portuguesa por crimes cometidos — um conjunto de normas que tem levantados dúvidas de constitucionalidade e que, na sequência das alterações apresentadas pelo PSD e CDS, saíram do diploma sobre revisão da lei da nacionalidade e passaram de forma autónoma para uma proposta de revisão do Código Penal.
Internal-Criticism14 on
20 anos no minimo!
JOAO--RATAO on
Lol
Ainda mais proteção para refugiados quando se vê que é virtualmente impossível deportar alguém?
ParrotGuy24 on
A diferença entre o partido da utopia, e um dos que já percebeu uma das preocupações dos portugueses.
S1yBIt on
Há gente a votar na esquerda ainda?
Any_Onion120 on
Infelizmente o que reina agora é querer o máximo de segregação. Gentileza, bondade, integração, proteção dos mais frágeis é visto como negativo.
LydonFeen on
E que tal regras para a merda do AIMA ter mais meios, e passar a funcionar como deve ser, em vez de continuar a ser o embaraço nacional que é?
Na minha opinião, devia ser necessário ter nível C1 para ter nacionalidade portuguesa.
john_121212 on
Mais proteção e deviamos fornecer uma habitação, um subsídio e mais umas coisinhas. /S
O livre bem quer, mas com estas posições, não vai crescer. É uma questão de tempo e seguem o caminho do bloco de esquerda
Born-Log2156 on
O que deveria interessar para merecer a nacionalidade era o conhecimento da língua, da cultura, da historia e acima de tudo mostrar orgulho em Portugal, o tempo de permanência nem deveria ser relevante.
Suspicious_Wheel_194 on
Como anda a fraude dos judeus sefarditas? É para continuar?
Uru-Eu-Wau-Wau on
O(s) governo(s) e partidos adoram discutir coisas inúteis e essa é mais uma. O tempo para ter direito à nacionalidade nunca foi um problema real, aumentar para 7 ou 10 anos é irrelevante para a situação da imigração atual.
Existe uma „corrida“ para obtenção da nacionalidade por tempo de residência pura e simplesmente para se fugir à AIMA/SEF. Para não se ter que passar pelo estresse e ansiedade que é agendar, esperar e lidar com todo o processo, desde a documentação em si ao atendimento pelos funcionários. É um serviço lastimável, é um problema que nem o governo anterior nem o atual sabem (ou querem) resolver.
Enquanto o processo de imigração em geral for horrível, enquanto as pessoas forem tratadas como igual um produto contrafeito, o problema se perpetuará.
Eu me tornei cidadão português simplesmente porque queria fugir do SEF, assim já posso ter uma vida normal.
Leave A Reply
Du musst angemeldet sein, um einen Kommentar abzugeben.
12 Kommentare
A Iniciativa Liberal defende uma regra geral de dez anos para a obtenção da nacionalidade portuguesa, admitindo sete anos se o requerente cumprir critérios mais exigentes, e o Livre quer maior proteção para refugiados e seus filhos.
Estas são algumas das alterações apresentadas pela Iniciativa Liberal e pelo Livre à proposta do Governo que pretende rever a lei da nacionalidade e que se juntam às do PSD/CDS e PS. Alterações que serão debatidas e votadas na especialidade, na quarta-feira, na Comissão de Assuntos Constitucionais.
A Iniciativa Liberal quer estabelecer “para todos” o prazo de 10 anos para a obtenção da nacionalidade, acabando com a discriminação positiva (sete anos) para cidadãos da União Europeia e de países de expressão portuguesa.
No entanto, admite um prazo mais curto, de sete anos, no caso de o requerente da nacionalidade portuguesa cumprir cumulativamente, além de todos os critérios previstos para a regra geral de dez anos, também outros relativos inerentes a língua e cultura.
“Conhecerem profundamente a língua e cultura portuguesas; conhecerem profundamente os direitos e deveres fundamentais inerentes à nacionalidade portuguesa e a organização política do Estado português”, especifica-se.
Logo a seguir, os liberais deixam uma ressalva que se aplica a cidadãos de países de língua oficial portuguesa: “O conhecimento da língua portuguesa referido (…) presume-se existir para os requerentes que sejam naturais e nacionais de países de língua oficial portuguesa”.
Entre as alterações ao diploma do Governo requeridas pela Iniciativa Liberal está também a aplicação de “uma regra de suspensão do procedimento de aquisição da nacionalidade quando o requerente for arguido em processo penal a decorrer por crime punível segundo a lei portuguesa, com pena de prisão igual ou superior a cinco anos, até ao trânsito em julgado da sentença”.
Porém, em caso de absolvição com trânsito em julgado da sentença, “o requerente tem direito à contagem do tempo de suspensão previsto no número anterior com vista à aquisição da nacionalidade por efeito da vontade”, acrescenta-se.
Já o Livre, em relação à proposta do Governo, que baixou diretamente a especialidade sem votação na generalidade, pretende que se conceda “a nacionalidade portuguesa às crianças nascidas no território português, filhas de pais refugiados, nos casos em que não seja viável adquirir a nacionalidade de algum deles”.
Propõe, ainda, um novo artigo, segundo o qual o Governo “concede a nacionalidade portuguesa aos refugiados e beneficiários de proteção subsidiária, reconhecidos nos termos da lei que regula o asilo, que residam legalmente em Portugal há pelo menos quatro anos, independentemente do título”.
Entre outras mudanças, o Livre quer mudar os requisitos previstos pelo executivo PSD/CDS para a obtenção da nacionalidade em matéria de conhecimentos dos princípios inerentes ao Estado Português, designadamente através da criação de uma comissão.
Para o Livre, “o modo como se afere o conhecimento dos princípios, direitos e deveres fundamentais, consagrados na Constituição da República, é definido por uma comissão independente e multidisciplinar”.
Por outro lado, o Governo fica vinculado a todos os anos promover “a realização de uma cerimónia pública de celebração da cultura portuguesa, de caráter simbólico e de participação facultativa, destinada às pessoas que tenham adquirido a nacionalidade nesse ano”.
Tal como o PS, o Livre pretende igualmente eliminar a sanção de perda da nacionalidade portuguesa por crimes cometidos — um conjunto de normas que tem levantados dúvidas de constitucionalidade e que, na sequência das alterações apresentadas pelo PSD e CDS, saíram do diploma sobre revisão da lei da nacionalidade e passaram de forma autónoma para uma proposta de revisão do Código Penal.
20 anos no minimo!
Lol
Ainda mais proteção para refugiados quando se vê que é virtualmente impossível deportar alguém?
A diferença entre o partido da utopia, e um dos que já percebeu uma das preocupações dos portugueses.
Há gente a votar na esquerda ainda?
Infelizmente o que reina agora é querer o máximo de segregação. Gentileza, bondade, integração, proteção dos mais frágeis é visto como negativo.
E que tal regras para a merda do AIMA ter mais meios, e passar a funcionar como deve ser, em vez de continuar a ser o embaraço nacional que é?
Mais do que discutir [se o tempo de espera deve ser 7/10/etc. anos](https://maisliberdade.pt/maisfactos/quantos-anos-de-residencia-sao-exigidos-aos-estrangeiros-nos-paises-europeus-para-obterem-essa-nacionalidade/), algo que acho urgente mudar é o nível de conhecimento da língua portuguesa necessário para ter nacionalidade portuguesa.
[Atualmente, é A2!](https://aima.gov.pt/pt/lingua-portuguesa/perguntas-e-respostas) — [isto é o nível que uma criança que termina o 7.º ano (13 anos) tem de ter a inglês](https://www.dge.mec.pt/sites/default/files/Curriculo/Aprendizagens_Essenciais/3_ciclo/ingles_3c_7a_ff.pdf) Alguém acha que essa criança sabe falar inglês?
Claro que não! É um absurdo enorme.
Na minha opinião, devia ser necessário ter nível C1 para ter nacionalidade portuguesa.
Mais proteção e deviamos fornecer uma habitação, um subsídio e mais umas coisinhas. /S
O livre bem quer, mas com estas posições, não vai crescer. É uma questão de tempo e seguem o caminho do bloco de esquerda
O que deveria interessar para merecer a nacionalidade era o conhecimento da língua, da cultura, da historia e acima de tudo mostrar orgulho em Portugal, o tempo de permanência nem deveria ser relevante.
Como anda a fraude dos judeus sefarditas? É para continuar?
O(s) governo(s) e partidos adoram discutir coisas inúteis e essa é mais uma. O tempo para ter direito à nacionalidade nunca foi um problema real, aumentar para 7 ou 10 anos é irrelevante para a situação da imigração atual.
Existe uma „corrida“ para obtenção da nacionalidade por tempo de residência pura e simplesmente para se fugir à AIMA/SEF. Para não se ter que passar pelo estresse e ansiedade que é agendar, esperar e lidar com todo o processo, desde a documentação em si ao atendimento pelos funcionários. É um serviço lastimável, é um problema que nem o governo anterior nem o atual sabem (ou querem) resolver.
Enquanto o processo de imigração em geral for horrível, enquanto as pessoas forem tratadas como igual um produto contrafeito, o problema se perpetuará.
Eu me tornei cidadão português simplesmente porque queria fugir do SEF, assim já posso ter uma vida normal.