Gericht begründet Zwangsmaßnahmen, die auf junge Menschen angewendet werden

    https://www.publico.pt/2025/04/01/sociedade/noticia/tribunal-justifica-medidas-coaccao-aplicadas-jovens-suspeitos-violacao-loures-2128176

    Von Mountain_Beaver00s

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    6 Kommentare

    1. Mountain_Beaver00s on

      >A Comarca de Loures emitiu uma nota esta terça-feira a esclarecer que as medidas de coacção aplicadas aos três jovens suspeitos de terem [violado uma rapariga em Loures ](https://www.publico.pt/2025/03/27/sociedade/noticia/tres-jovens-detidos-loures-suspeita-violarem-adolescente-filmarem-divulgarem-redes-sociais-2127521)em Fevereiro — e depois terem divulgado um vídeo com o sucedido nas redes sociais — foram aquelas „promovidas pelo Ministério Público“.

      >Face aos „elementos disponíveis“, a comarca alega que as medidas aplicadas foram „proporcionais e adequadas às finalidades de natureza cautelar que visam assegurar“: incluem apresentações periódicas dos suspeitos ao tribunal e proibição de contactar a vítima ou de se aproximarem a menos de 500 metros da sua residência e da escola que frequenta.

      >(…)

      >“O primeiro interrogatório judicial de arguido detido não corresponde a um julgamento dos factos, nem tem em vista a antecipação da aplicação de penas, tendo por fim, tão-somente, a aplicação de medidas de coacção destinadas a acautelar os perigos a que alude o artigo 204.º do Código de Processo Penal“, lê-se na nota divulgada à comunicação social.

      >Os perigos aludidos são de fuga, de perturbação do decurso do inquérito ou da instrução do processo, para a aquisição, conservação ou veracidade da prova ou, ainda, perigo, em razão da natureza e das circunstâncias do crime ou da personalidade do arguido, de que este continue a actividade criminosa ou perturbe gravemente a ordem e a tranquilidade públicas.

      >“O processo encontra-se em segredo de justiça, sendo esta a única informação pública possível nesta fase“, lê-se ainda na nota. “ Sublinha-se que os/as juízes/juízas decidem de forma independente e imparcial, com base nos elementos constantes dos autos e no cumprimento rigoroso da lei“, acrescenta.

      Os temas da justiça e da segurança são, provavelmente, os únicos que continuo a discutir com algum detalhe nas redes em que tenho conta. Discuti muito este caso. E acho que o Tribunal só piora a sua situação ao emitir esta nota. Desde logo, porque é algo inédito. E, em segundo, porque adopta um tom racional, pouco inflamado, etc., que, como é óbvio, não vai atenuar as críticas e o instinto punitivo com que se costuma reagir a estes casos. Ainda por cima, há aqui a questão de ser raríssimo um Juiz aplicar uma medida de coacção mais gravosa do que a pedida pelo Ministério Público (ou seja, as forquilhas, estando viradas para algum lado, que não deviam, deviam estar para o Ministério Público e não para o Tribunal). É claro que o papel do Tribunal é, precisamente, deixar de lado os instintos humanos inflamados e ponderar com imparcialidade e total racionalidade e frieza de espírito. Mas isso raramente é bem entendido na sociedade. Ou seja, é tempo perdido.

    2. Horror-Government319 on

      Está lá escrito „circunstâncias do crime“ qualquer juiz com bom senso pode evocar essa parte para decretar a prisão preventiva, violação transmitida em direto nas redes sociais é mais que suficiente.

    3. charge-pump on

      Não entendo como é que o MP e o tribunal achem bem que estes tipos continuem a ter acesso às redes sociais para vilipendiarem a vítima. Que não haja prisão preventiva posso até concordar, mas o segundo é injustificável.

    4. Nestes casos gosto sempre de apontar que o Sócrates esteve 10 meses em prisão preventiva… por muito que achemos que ele é culpado, entre uns e outro, alguma coisa não bate certo se um merece estar dentro 10 meses e estes estão por cá a passear….

      E quem diz o Sócrates diz muitos outros casos mediaticos. Até o Bruno de Carvalho esteve detido 4 dias para o tribunal o ilibar a 100% dizendo que não havia provas nenhumas.

    5. luso_warrior on

      Não sei o que levou o MP a pedir estas medidas de coação mas parece-me que é mais um caso onde a imagem da justiça sai profundamente manchada. Convinha o procurador – geral esclarecer a população. O MP não está acima do povo nem da Constituição.

    6. Impossible_Limit_486 on

      A verdade é que os três arguidos continuam online e após os factos foram para as redes gozar com a situação. São crianças, mas só para o que convém, porque apresentam uma clara postura de gozo, tendo perfeita consciência do que estão a fazer, usufruindo, pelo menos por agora, de um aparente aligeirar das medidas também por serem menores.

      Ver a justiça escudar-se assim em formalismos é meio caminho andado para, do ponto de vista da população e de pessoas como eu, que não entendem os meandros destas decisões e as alegadas limitações dos tribunais, perder toda a esperança de que de facto se possa fazer justiça.

      E há sim um problema sistémico em Portugal de medidas de coação demasiado leves. Falamos agora de um caso de violação, mas poderíamos falar dos inúmeros casos de violência doméstica em que os tribunais também são sistematicamente excessivamente mansos antes do julgamento.

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