>O decreto-lei que vai permitir a construção em terrenos até agora proibidos foi publicado esta segunda-feira em Diário da República, entrando em vigor dentro de um mês. Depois de o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ter promulgado o diploma que cria um regime excepcional para permitir a construção e urbanização onde actualmente não é possível, o Governo fez publicar esta segunda-feira o polémico decreto-lei que altera o Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão Territorial (RJIGT).
>Quando anunciou a decisão o Governo mencionou a possibilidade de construção em solos classificados como rústicos e solos que têm classificação como REN [Reserva Ecológica Nacional] e RAN [Reserva Agrícola Nacional], apesar de ter afirmado que são salvaguardadas as “suas zonas mais críticas”. Agora, a justificar a iniciativa, o Governo diz no decreto-lei que a maior disponibilidade de terrenos “facilitará a criação de soluções habitacionais que atendam aos critérios de custos controlados e venda a preços acessíveis, promovendo, assim, uma maior equidade social e permitindo que as famílias portuguesas tenham acesso a habitação digna”.
>O regime especial de reclassificação assegura “que pelo menos 700/1000 da área total de construção acima do solo se destina a habitação pública ou a habitação de valor moderado”. Mas explica o Governo que não será habitação a “custos controlados”, mas casas para acesso pela classe média, “ponderando valores medianos dos mercados local e nacional, e definindo valores máximos para assegurar maior equidade”.
Mobile-Goose9456 on
Mais uma vez Portugal a escolher o caminho fácil em vez do certo. Em vez se trabalhar para urbanizar em condições e com critério, escolhe-se o caminho mais fácil de deixar construir à balda, em todo o lado.
Portugal já tem um ordenamento de território e urbanismo de merda comparando com o resto da Europa, mas agora sobe a fasquia para tentar tornar as coisas ainda piores.
É preciso encorajar a construção de média e alta densidade, onde já existem outras habitações e infraestruturas construidas como estradas, saneamento, água, transportes, serviços de emergência, etc… E é preciso desencorajar a construção de baixa densidade, desconectada e espalhada por todo o lado, onde isso não existe, vai ser preciso construir de novo e manter. Manutenção essa que depois vai custar mais por causa da baixa densidade. É precisamente o que esta nova lei encoraja a fazer, ou seja, este é um passo dado na direção completamente oposta à correta.
Urban sprawl é um problema real e a ruína financeira de qualquer cidade/região que se meta nessa merda, é uma droga para as autarquias. Ter o melhor dos dois mundos, espaço de sobra com os serviços e conveniências de uma cidade moderna é algo que nem a maior economia do mundo conseguiu fazer em 60 anos, duvido que nós sejamos diferentes. Espero que os municípios tenham mais juízo que o governo.
**EDIT 1:** Acrescentei alguns detalhes extra mas nada muda a crítica.
**EDIT 2:** Este problema que os nossos governantes parecem desconhecer está mais do que documentado, nos Estados Unidos e Canadá, que estão uns bons 50 a 60 anos à frente neste caminho, por isso temos um bom exemplo do que nos espera daqui a uns anos também. Exemplos:
**EDIT 3:** [Urban 3](https://www.urbanthree.com/who-we-help/), software de analise de viabilidade financeira de cidades que mostra sistematicamente que urbanizações de baixa densidade são um poço sem fundo
c_radicallis on
Not r/urbanplanning
BenfiquistaRegional on
Almargem do Bispo, Sintra, tem tudo para explodir em termos de construção. Uma freguesia do tamanho dos municípios vizinhos de Amadora e Odivelas (cerca de 25 km2), servida pela A16 e IC16 e com ligação ao comboio em Agualva-Cacem (provavelmente será necessário expandir 2 km2 este ramal um pouco mais)… Mas tem ali muito terreno disponível para construir.
EfficientInsecto on
fodemos este país todo.
continue-se a votar nos mesmos.
positiverategearupp on
Finalmente, a malta aqui no Reddit que está a reclamar deve gostar de viver todos em cima uns dos outros e de pagar 400000 euros para o fazer.
Onde vivo numa zona rural o que não falta são aldeias onde têm canalização, eletricidade, comunicações mas era impossível uma casa no terreno a seguir a última casa dessa aldeia (no seguimento da estrada) por já ser considerado rústico.
Vai aumentar a oferta, tem limites de custos para não serem apenas moradias para ricalhaços. Medida excelente
pm2lp on
Continuo sem perceber uma coisa e se alguém souber gostava que me esclarecessem, este diploma também é válido para habilitação própria? Ou seja, se eu tiver um terreno rural, e precisar de construir casa para mim, posso ou não?
amigoWu on
Barracas….apenas barracas. 🙄
Ok_Neighborhood2239 on
Vai ser bonito vai, vai ser cada aberração
sardinha_frita on
Estou a ver os comentários a assumir que se vai poder construir de qualquer forma em qualquer sítio. Não me parece que seja bem assim.
Alguém consegue explicar o que é que isto implica na prática? De forma simples para qualquer leigo.
Tafinho on
Estou a ter vibes de Quarteira em 1989, aplicado a todo o território.
Ok_Neighborhood2239 on
Moção de censura para ontem
No_Recording_9612 on
mal posso esperar pelos telefonemas de clientes no inicio do ano para aumentar o preço dos terrenos no meio do nada só com acesso através de caminho de servidão
Edexote on
É para os ricos fazerem vivendas. O Montenegro vai deixar muitas saudades do Costa, vai ser o pior primeiro ministro de que há memória.
Leave A Reply
Du musst angemeldet sein, um einen Kommentar abzugeben.
14 Kommentare
>O decreto-lei que vai permitir a construção em terrenos até agora proibidos foi publicado esta segunda-feira em Diário da República, entrando em vigor dentro de um mês. Depois de o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ter promulgado o diploma que cria um regime excepcional para permitir a construção e urbanização onde actualmente não é possível, o Governo fez publicar esta segunda-feira o polémico decreto-lei que altera o Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão Territorial (RJIGT).
>Quando anunciou a decisão o Governo mencionou a possibilidade de construção em solos classificados como rústicos e solos que têm classificação como REN [Reserva Ecológica Nacional] e RAN [Reserva Agrícola Nacional], apesar de ter afirmado que são salvaguardadas as “suas zonas mais críticas”. Agora, a justificar a iniciativa, o Governo diz no decreto-lei que a maior disponibilidade de terrenos “facilitará a criação de soluções habitacionais que atendam aos critérios de custos controlados e venda a preços acessíveis, promovendo, assim, uma maior equidade social e permitindo que as famílias portuguesas tenham acesso a habitação digna”.
>O regime especial de reclassificação assegura “que pelo menos 700/1000 da área total de construção acima do solo se destina a habitação pública ou a habitação de valor moderado”. Mas explica o Governo que não será habitação a “custos controlados”, mas casas para acesso pela classe média, “ponderando valores medianos dos mercados local e nacional, e definindo valores máximos para assegurar maior equidade”.
Mais uma vez Portugal a escolher o caminho fácil em vez do certo. Em vez se trabalhar para urbanizar em condições e com critério, escolhe-se o caminho mais fácil de deixar construir à balda, em todo o lado.
Portugal já tem um ordenamento de território e urbanismo de merda comparando com o resto da Europa, mas agora sobe a fasquia para tentar tornar as coisas ainda piores.
É preciso encorajar a construção de média e alta densidade, onde já existem outras habitações e infraestruturas construidas como estradas, saneamento, água, transportes, serviços de emergência, etc… E é preciso desencorajar a construção de baixa densidade, desconectada e espalhada por todo o lado, onde isso não existe, vai ser preciso construir de novo e manter. Manutenção essa que depois vai custar mais por causa da baixa densidade. É precisamente o que esta nova lei encoraja a fazer, ou seja, este é um passo dado na direção completamente oposta à correta.
Urban sprawl é um problema real e a ruína financeira de qualquer cidade/região que se meta nessa merda, é uma droga para as autarquias. Ter o melhor dos dois mundos, espaço de sobra com os serviços e conveniências de uma cidade moderna é algo que nem a maior economia do mundo conseguiu fazer em 60 anos, duvido que nós sejamos diferentes. Espero que os municípios tenham mais juízo que o governo.
**EDIT 1:** Acrescentei alguns detalhes extra mas nada muda a crítica.
**EDIT 2:** Este problema que os nossos governantes parecem desconhecer está mais do que documentado, nos Estados Unidos e Canadá, que estão uns bons 50 a 60 anos à frente neste caminho, por isso temos um bom exemplo do que nos espera daqui a uns anos também. Exemplos:
– [The Growth Ponzi Scheme: A Crash Course](https://www.strongtowns.org/journal/2020/8/28/the-growth-ponzi-scheme-a-crash-course)
– [The Real Reason Your City Has No Money](https://www.strongtowns.org/journal/2017/1/9/the-real-reason-your-city-has-no-money)
**EDIT 3:** [Urban 3](https://www.urbanthree.com/who-we-help/), software de analise de viabilidade financeira de cidades que mostra sistematicamente que urbanizações de baixa densidade são um poço sem fundo
Not r/urbanplanning
Almargem do Bispo, Sintra, tem tudo para explodir em termos de construção. Uma freguesia do tamanho dos municípios vizinhos de Amadora e Odivelas (cerca de 25 km2), servida pela A16 e IC16 e com ligação ao comboio em Agualva-Cacem (provavelmente será necessário expandir 2 km2 este ramal um pouco mais)… Mas tem ali muito terreno disponível para construir.
fodemos este país todo.
continue-se a votar nos mesmos.
Finalmente, a malta aqui no Reddit que está a reclamar deve gostar de viver todos em cima uns dos outros e de pagar 400000 euros para o fazer.
Onde vivo numa zona rural o que não falta são aldeias onde têm canalização, eletricidade, comunicações mas era impossível uma casa no terreno a seguir a última casa dessa aldeia (no seguimento da estrada) por já ser considerado rústico.
Vai aumentar a oferta, tem limites de custos para não serem apenas moradias para ricalhaços. Medida excelente
Continuo sem perceber uma coisa e se alguém souber gostava que me esclarecessem, este diploma também é válido para habilitação própria? Ou seja, se eu tiver um terreno rural, e precisar de construir casa para mim, posso ou não?
Barracas….apenas barracas. 🙄
Vai ser bonito vai, vai ser cada aberração
Estou a ver os comentários a assumir que se vai poder construir de qualquer forma em qualquer sítio. Não me parece que seja bem assim.
Alguém consegue explicar o que é que isto implica na prática? De forma simples para qualquer leigo.
Estou a ter vibes de Quarteira em 1989, aplicado a todo o território.
Moção de censura para ontem
mal posso esperar pelos telefonemas de clientes no inicio do ano para aumentar o preço dos terrenos no meio do nada só com acesso através de caminho de servidão
É para os ricos fazerem vivendas. O Montenegro vai deixar muitas saudades do Costa, vai ser o pior primeiro ministro de que há memória.